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Parecer sobre Paulo Piau e o Código Florestal

25/04/2012

Nunca tinha visto ou ouvido o deputado Paulo Piau. A primeira vez foi em um debate sobre o código florestal entre ele e o prof. José Eli da Veiga. Quem vê cara não vê coração (eu sei), mas ele me pareceu uma pessoa sensata. Essa minha impressão teve fim diante do relatório do código que o mesmo apresentou e que está em votação na câmara dos deputados. Paulo Piau conseguiu piorar (e muito) o código que saiu do Senado. Não que o código do Senado seja o ideal do que se pensa sobre Código Florestal.

Acompanhei ontem várias manifestações e foi fácil identificar o “jogo de cena” – como bem exemplificou o advogado e consultor André Lima –, algo comum sob o aspecto do jeito de ser da velha política partidária. Um telequete – simulação onde um finge que bate e o outro finge que apanha – entre ruralistas e governo, como afirmou a ex-ministra do meio ambiente Marina Silva em seu Twitter.

Paulo Piau fez um relatório que já não era bom ficar péssimo. Daí você sente saudade do ruim e acaba cedendo, ou seja, esquecendo-se o que é importante e nos fazendo aceitar o “menos pior”, contribuindo para “dos males o menor”. Sim, o relatório do Senado é ruim e precisa ouvir as opiniões de especialistas, cientistas, pesquisadores. Aliás, as contribuições da Ciência para o Código Florestal foram ouvidas, mas deixadas de fora para poder atender as exigências da bancada ruralista.

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Os que querem a aprovação do novo código “vendem” a ideia de que ambientalistas são contra a agricultura, o que é, obviamente, outro jogo de cena politiqueiro, além de quererem anistia dos desmatamentos que produziram. O que ambientalistas e a sociedade apoiam (inclusive agricultores familiares) é a ideia da agricultura sustentável, afinal, a dicotomia”ou preservamos ou produzimos alimentos” é falsa.  O Brasil tem área suficiente para a preservação de nosso patrimônio biológico e para também continuar aumentando a produção de alimentos para o consumo interno e exportações, conforme estudo da BIOTA/FAPESP.

O uso adequado das terras é o primeiro passo para a preservação e conservação dos recursos naturais e para a sustentabilidade da agricultura, e deveria ser planejado de acordo com a sua aptidão, capacidade de sustentação e produtividade econômica, de tal forma que o potencial de uso dos recursos naturais seja otimizado, ao mesmo tempo em que sua disponibilidade seja garantida para as gerações futuras.

O professor José Eli da Veiga lembrou com propriedade no seu artigo “Código Florestal em roleta Russa” que “há cinco anos os legisladores da Rússia ignoraram os pareceres científicos contrários ao relaxamento das regras de conservação que até então haviam garantido a proteção das florestas de seus imensos biomas. Pois bem, bastaram cinco anos para que o país fosse assolado por inédita onda de incêndios, que tornou o ar de Moscou quase irrespirável, gerando pânico sobre a possibilidade de imenso incêndio metropolitano. Simultaneamente foram afetadas as colheitas, com perda de um quinto na de trigo”.

Finalizo com uma mensagem deixada pelo teólogo e escritor Leonardo Boff em seu twitter: “Aprovado, o atual Codigo Florestal será a vitória do atraso e da cegueira sobre o futuro do Planeta e da vida: uma economia hostil à vida.”

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