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A ‘orkutização’ da Imprensa

22/08/2011

Nos últimos anos, principalmente na era Lula, o número de reclamação e indignações contra a imprensa aumentou. Impressão minha? Ok! A imprensa marrom vem de longos tempos. Mas imprensa golpista?

Não é raro encontrar pela rede questionamentos sobre reportagens da Veja, da Isto É, da Carta Capital e de outras revistas, inclusive de telejornais, como o Jornal Nacional e de articulistas que polemizam demasiadamente – e se regozijam quando fazem – , mas, às vezes, baseado em falácias. Ok! Um artigo é a opinião de quem o escreve, mas nem por isso deveria faltar com a verdade. A imprensa, disfarçadamente, sempre esteve ao lado deste ou daquele, principalmente se este ou aquele a beneficia direta ou indiretamente. Mas, repito: imprensa golpista?

Pasmem, mas já existe uma definição na Wikipédia para o termo: “O Partido da Imprensa Golpista (comumente abreviado para PIG ou PiG) é uma expressão usada por órgãos de imprensa e blogs políticos de orientação de esquerda para se referir a órgãos de imprensa e jornalistas por eles considerados tendenciosos, que se utilizariam do que chamam grande mídia como meio de propagar suas ideias e tentar desestabilizar governos de orientação política contrária.”

E pasmem (parte II), segundo a Wikipédia a expressão foi popularizada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog Conversa Afiada – justo ele que também parece ter se “orkutizado”-, mas, segundo ele, foi inspirada em um discurso do deputado petista Fernando Ferro.

Querem amordaçar a imprensa para que esta não faça nenhuma reportagem investigativa com requintes de denuncia? Falou mal, principalmente do governo, é imprensa golpista? Ou será que a imprensa foi desmascarada?

Será mesmo a fase da orkutização da Imprensa? Não gosto muito deste termo, mesmo quando usado no contexto original, ou seja, quando se critica a “popularização” – e a maneira como usam – de ferramentas que pseudo-intelectuais acreditam ser só deles, como o twitter, por exemplo.

As redes sociais deram a oportunidade de o cidadão comum se tornar um “Repórter Esso” – a testemunha ocular da história -, vide o caso de Renê Silva dos Santos, de 17 anos, que foi a ‘testemunha’ do Complexo do Alemão em vários cantos do mundo. Diante do computador, o adolescente, que mora no Morro do Adeus, uma das favelas de lá, relatou com detalhes e em tempo real o desenrolar da guerra entre traficantes e forças de segurança. Hoje, a conta @VozdaComunidade, intitulado como o primeiro jornal do Complexo do Alemão tem mais de 57 mil seguidores. Já o perfil do próprio garoto está próximo da casa dos 20 mil.

Mas por que tanto descrédito em relação a imprensa tradicional? Vale lembrar que ainda é a imprensa clássica que pauta a mídia social. O jornalista Ignácio Ramonet, diretor do jornal francês Le Monde Diplomatique e do Media Watch International, chama de insegurança informativa. Ele vai mais a fundo e avalia que “o importante hoje, para a imprensa, é o que o maior número de pessoas quer ver e ouvir. As informações são cada vez mais breves, emotivas e espetaculares. E, cada vez mais, estas informações são gratuitas. Então onde está o negócio? Se trata de vender gente aos anunciantes, e para ter mais gente, a informação tem que ser sedutora”. E neste ponto, a credibilidade do veículo e do trabalho jornalístico sofre sérias avarias.

Em 1998, o jornalista Arthur da Távola – pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros – disse: “notícia como espetáculo, que é o que domina hoje o panorama, está sendo muito mais regida pelas regras da dramaturgia, que são as regras do espetáculo, do que pelas regras da informação, que é algo que necessita de precisão, concisão – e eu não diria imparcialidade, mas digo objetividade.”

Enfim… erros como o Caso Escola Base, de São Paulo, da manipulação, censura e mentiras da imprensa dos EUA na época da invasão no Iraque ou mais recentemente do uso de escutas telefônicas ilegais na News Corporation, de Rupert Murdoch cooperaram para o descrédito das pessoas na imprensa?

Chegou a hora de findar minha reflexão e dar voz ao debate. Manda brasa (adoro gírias idosas) nos comentários e vamos ampliar a discussão.

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