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O jornalismo e as novas mídias

27/06/2011

Semana passada assisti ao @Observatorio . O tema da noite abordou a velocidade das novas mídias e tocou num assunto que a meu ver virou senso comum (será?): o fim dos jornais impressos. Eu mesmo já postei algo sobre o assunto aqui e aqui.

Aliás, fala-se na morte dos jornais desde que a imprensa se tornou em quarto poder. Mas o vilão, agora, é a Internet – que como disse muito bem Alberto Dines -, que está deixando de ser um meio de comunicação – como foi o telefone – para transformar-se em veículo de informação.

Dines abriu o programa reforçando a idéia de o “fim dos jornais” com a afirmativa de que o “The Guardian” “, um dos jornais mais importantes e bem sucedidos da Inglaterra, passaria a investir mais na sua versão digital, que absorveria o noticiário quente. A versão impressa ficaria com as análises, opiniões e a contextualização do que seria veiculado pela internet.

Participaram do programa o jornalista Caio Tulio Costa*, primeiro ombudsman da imprensa brasileira, professor na Cásper Líbero e, atualmente, sócio da MVL Comunicação, área digital (mídias sociais) e do também jornalista Muniz Sodré, sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio De Janeiro.

A velocidade da informação e o potencial prejuízo na qualidade desta é algo que tem me preocupado. Aliás, o tema tem sido discutido por muita gente. Agora, com o fast food da informação promovido pela Internet, principalmente via redes sociais, a coisa piorou. Mais do que nunca o filtro, a apuração e o questionamento são necessários. “A multiplicação acelerada da informação pode ser cancerosa”, disse Muniz Sodré.

E por falar em questionar, faço uma pequena pausa para refletir sobre o relato de uma amiga de uma amiga minha, que contou que um amigo próximo seu, ao freqüentar várias palestras de redes sociais, notou que muito jovens, com seus IPads e IPhones, tuitavam furiosamente enquanto assistiam às palestras de dezenas de especialistas. Ao final da palestra, invariavelmente o apresentador dizia:

– Alguma pergunta?

Silêncio. Ninguém. Nada. E assim foi, de palestra em palestra. Ninguém nunca perguntava nada. O Patrick (amigo da amiga da minha amiga (confuso, não?) então disse que aquela era a geração “T”. “Tê” de testemunha: “Sou testemunha de tudo, mas não tenho opinião sobre nada.”

Voltando ao @Observatorio , o caso recente da divulgação, pelas redes internacionais de jornalismo, de um suposto sequestro de uma blogueira síria, foi o exemplo dado para a questão da apuração. A notícia, do ínicio do mês, era baseada em informações alardeadas pelo Facebook e dizia que a blogueira Amina Abdallah, pró-democracia, teria sido sequestrada por agentes do governo – mesmo sem qualquer tipo de confirmação para além daquelas encontradas na rede.

Algumas agências chegaram a afirmar que haviam entrevistado parentes da sequestrada, sem imaginar que a tal blogueira era na verdade um estudante de pós-graduação norte- americano. [Ver aqui].

Não importa muito o que é escrito, mas quem escreve. Se o nome é forte e está ligado a um grande nome da mídia, acredita-se sem questionar. Essa reflexão parece minha, pois já questionei isso algumas vezes via Twitter, mas foi abordada pelo prof. Muniz Sodré. Ele não citou nenhum nome, mas tive a nítida impressão que ele falava sobre o Reinaldo Azevedo, articulista da Veja. Reinaldo tem dado opiniões descabidas sobre alguns assuntos e, muitas vezes, nos dá a sensação de atender a particularidades pessoais ou políticas.

O Caio Tulio lembrou muito bem e disse que matérias falsas e inventivas são questões também da mídia impressa. Muitos casos vieram à tona, como os das matérias publicadas no jornal The New York Times por Jayson Blair.

Há vários outros exemplos de “barrigada” jornalística. Diante disso, uma das perguntas que todos tentam responder é: Como integrar jornalismo online e offline? A resposta para essa pergunta, me parece, ainda está em Beta. Mas você pode começar a fazer o filtro, principalmente com simples dicas que dei nesse post.

O certo é que produzimos informação numa velocidade cada vez maior. Mas cadê o repertório para dar um sentido à realidade? Vamos praticar a curiosidade intelectual ou só ficar na curiosidade social? Caio Tulio deu uma dica durante o programa @Observatório: “A única maneira de resolver a questão do entendimento do mundo é com estudo. E uma educação voltada p/ o humanista”.

* O Caio Túlio foi responsável pela Equipe Web (Mídias Sociais) da campanha presidencial da Marina Silva. Eu trabalhava de frente para ele no comitê do PV na Vila Madalena, em São Paulo. Caio é um grande mestre, entre outros que conheci durante o período (Nilson, Mauro, Coppola). Aliás, a equipe toda era excelente. A integração entre assessoria de imprensa e equipe de mídias sociais foi fundamental para o sucesso do trabalho. De lá pra cá, continuo o trabalho nas redes sociais da Marina e também da Copersucar (Via MVL Comunicação – ), mas em home office, de Franca-SP. O Caio, hoje, é sócio da MVL.

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