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Cinco mitos sobre o futuro do jornalismo

11/04/2011

Acabo de receber do mestre Caio Túlio Costa, responsável pela unidade digital da MVL  Comunicação – da qual presto serviço (Mídias sociais) para a ex-candidata a presidência Marina Silva -, o texto abaixo, assinado por Tom Rosenstiel, do Washington Post, sobre os Cinco mitos sobre o futuro do jornalismo.

Os argumentos são bons. Mas realmente eles se seguram em longo prazo? Obviamente que o artigo vem um pouco na contramão (ou ele anda paralelo?) do que vem sendo falado e escrito. Baseado numa pesquisa da Future Exploration Network,  escrevi esse post com projeções sobre o fim do jornalismo impresso no mundo: abaixo da foto tem um clique aqui para ver a imagem ampliada.

Quem terá razão? Creio que essa questão é mais uma para a máxima: quem sobreviver, verá!

Bom… vamos ao texto do Tom Rosenstiel. A tradução é do Caio Túlio.

“Há poucas coisas que os jornalistas mais gostam de discutir do que, bem, eles próprios e as perspectivas de longo prazo para a sua indústria. Quanto tempo os jornais impressos sobreviverão? Os sites agregadores de notícias serão o futuro? Ou o caminho estaria nos sistemas de pagamento online (paywalls) – como o recém lançado pelo New York Times? Como as organizações de mídia precisam tramar o seu futuro, vale a pena desfazer alguns equívocos sobre o que será necessário para evitar que a imprensa se torne a notícia ruim de ontem.

1. A mídia tradicional está perdendo sua audiência

Muitos previram que o crescimento da internet e das publicações online faria com que as organizações da mídia tradicional perdessem seus leitores e telespectadores; a tecnologia quebraria o controle oligárquico das notícias. Mas este não é o quadro que se apresenta.

Sim, as pessoas estão migrando para o online. Em 2010, a Internet passou os jornais pela primeira vez como a plataforma onde os americanos “regularmente” obtêm as notícias, conforme levantamento de dados do Pew Research Center. 46% dos adultos dizem que procuram notícias online ao menos três vezes por semana, contra 40% que lêem jornais frequentemente. Só o noticiário de televisão local é mais popular, com 50% da preferência.

Mas os consumidores de notícias online estão procurando principalmente as fontes tradicionais. Entre os 25 sites de notícias mais populares da web nos Estados Unidos, por exemplo, todos menos dois são “legados” da mídia, como o site do New York Times ou o da CNN, ou são agregadores de sites da mídia tradicional, como o Yahoo ou o Google News. Dos cerca de 200 sites de notícias com o maior tráfego, 81% são meios tradicionais ou agregadores deles. E alguns integrantes da velha mídia estão vendo sua audiência geral – tanto da versão impressa quanto da web – crescer.

A crise que a mídia tradicional enfrenta é relativa à receita, não à audiência. Nessa crise, os jornais foram os mais atingidos: as receitas publicitárias de jornais dos EUA caíram 48% de 2006 para 2010.

2. Os sites de notícias ficarão numa boa assim que a receita de publicidade se adequar

Tais esperanças são equivocadas. Em 2010, o faturamento de publicidade na web nos Estados Unidos superou o da publicidade de veículos impressos pela primeira vez, alcançando US$ 26 bilhões. Mas apenas uma pequena fração disso, talvez menos de um quinto, foi para as empresas de notícia. A maior fatia, cerca de metade, foi para os mecanismos de busca, principalmente o Google. A indústria dos jornais ilustra o problema. Embora cerca de metade da audiência consuma jornais online, a indústria de jornais arrecadou US$ 22,8 bilhões no ano passado em receitas de anúncios impressos, mas somente US$ 3 bilhões vieram de anúncios na web.

O jornalismo floresceu nas últimas décadas porque a publicação de notícias era o principal jeito pelo qual a indústria atingia seus clientes. No cenário das novas mídias, há muitas formas de atingir o público, e a notícia representa apenas uma pequena parte dessas formas.

3. O conteúdo será sempre o rei

O silogismo que ajudou a prosperar o jornalismo no século 20 era simples: produza o jornalismo (ou “conteúdo”) que as pessoas querem e você se sairá muito bem. Mas isso deixou de ser o suficiente. A chave da mídia no século 21 pode ser a quem tenha mais conhecimento do comportamento da audiência, e não a de quem produza o conteúdo mais popular.

A chave está em compreender quais sites as pessoas visitam, qual conteúdo elas vêem, quais produtos elas compram e mesmo quais coordenadas geográficas permitirão que os anunciantes orientem melhor os consumidores individuais. E a maior parte deste conhecimento residirá nas empresas de tecnologia e não nos produtores de conteúdos.

O Google, por exemplo, vai saber muito mais sobre cada usuário de um site qualquer de notícias do que o proprietário do site. Ele pode rastrear o comportamento dos usuários por meio do seu software Droid em telefones móveis, pelo seu navegador da Web, o Chrome, pelo seu mecanismo de pesquisa e pelo seu novo software para tablets.

Ter a capacidade de atingir diretamente os seus usuários é a razão pela qual a Apple quer controlar os dados do público que usa o iPAD. E a empresa que pode vir a conhecer melhor você é o Facebook, com o qual os usuários compartilham livremente o que gostam, onde vão e quem são seus amigos.

4. Os jornais do mundo todo estão em declínio

Na verdade, a circulação de jornais impressos em todo o mundo subiu mais de 5% nos últimos cinco anos, não baixou; e a quantidade de jornais está crescendo. Em geral, a mídia impressa prospera no mundo em desenvolvimento e sofre nas nações ricas. A receita de anúncios publicitários em jornal, por exemplo, subiu 13% na Índia e 10% no Egito e no Líbano no último ano do qual há dados disponíveis. Mas caiu 8% em França e 20% no Japão.

As forças ligadas à prosperidade da indústria do jornal impresso incluem o aumento da alfabetização, a expansão da população, o desenvolvimento econômico e a baixa penetração de banda larga. Na Índia, por exemplo, a população está crescendo e se tornando mais alfabetizada, mas uma parte substancial ainda não está online.

Em geral, os jornais americanos estão sofrendo mais. Cerca de 75% de sua receita provém de publicidade, contra 30% ou 40% em muitos outros países, onde os jornais vivem e morrem por conta da circulação. Isso significa que o colapso da publicidade não está batendo nos jornais de outros lugares tão duramente como ele está batendo nos EUA. Isso também sugere que a necessidade de cobrar pelo acesso online pode ser ainda mais importante nos outros países.

5. A solução é se concentrar no noticiário local“Vamos para a cobertura hiperlocal!”

Este foi o grito de guerra de Wall Street para a indústria da notícia, há cinco anos. O raciocínio era simples: na era da Internet, quando os usuários podem acessar o conteúdo em qualquer lugar, não fazia sentido para as operações locais competirem com os grandes provedores de notícias nacionais.

O problema é que o conteúdo hiperlocal, por definição, tem um apelo limitado. Para reunir uma audiência grande o suficiente para gerar receita publicitária significativa, você tem que produzir um grande volume de conteúdos de diferentes lugares, o que é caro. Além disso, muitos anunciantes “hiperlocais” ainda não estão online, limitando os dólares a serem investidos em anúncio.

Agora estamos entrando no que pode ser chamado Hiperlocal 2.0, e o mercado ainda está verde. O Google, que açambarca dois terços de todas as verbas nacionais da publicidade de busca, não exerce um controle similar sobre publicidade local. Localmente, os anúncios display – a maioria banners e pop-ups – formam uma fatia maior do mercado do que os anúncios de texto dos mecanismos de busca.

Mas ainda permanece um mistério a maneira certa de produzir o conteúdo local. Você deve implantar sistemas de pagamentos online na porta de entrada? Você deve construir um modelo “Pro-Am”, em que uma rede de jornalistas profissionais com amadores de baixa remuneração conseguiria produzir um noticiário abrangente? Ou deverá sair vencedor algo no estilo Patch, da AOL, em que centenas de sites hiperlocais são de propriedade de uma única empresa que pode conectar os leitores com os principais anunciantes?

Até agora, ninguém conseguiu de fato decifrar o código para a produção de notícias online locais lucrativas.”

Tom Rosenstiel é diretor do Projeto para a Excelência em Jornalismo do Pew Research Center . Ele é o co-autor, com Bill Kovach, de “Blur: How to Know What’s True in the Age of Information Overload” e também de “Os Elementos do Jornalismo: o que os Jornalistas devem saber”, editado no Brasil.

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