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A essência das empresas modernas

08/11/2010

Empresas são constituídas de pessoas. A definição é clássica. Mas qual é a realidade? O RH (Recursos Humanos) das empresas não é ou deveria ser setor isolado, mas cada pessoa forma o RH das empresas. Dentro deste contexto o que esperamos da direção e o que fazemos para dar real sentido ao relacionamento, aos encontros, às diferenças que se cruzam e se completam dentro das organizações?

Tenho acompanhado algumas empresas e visto relações destruídas, essências perdidas, ciclos esquecidos, compreensão e relacionamentos abandonados. Muitas organizações estão doentes. Diretores e fundadores, perdidos, tentam resolver os “problemas” contratando consultorias caríssimas que muitas vezes olham apenas o lado de fora da bolha.

Presto serviço para a MVL – Comunicação, uma empresa de comunicação de São Paulo, responsável pela campanha presidencial da Marina Silva. Iniciei meu trabalho durante as eleições/2010, fazendo parte da equipe web, com foco no conteúdo, no relacionamento e evangelismo em mídias sociais – Job que ganhou destaque e respeito da rede e até das mídias clássicas (quem acompanha o blog já deve estar cansado de posts sobre o assunto).

No primeiro dia de trabalho, no comitê instalado na Inácio Pereira da Rocha, 170 (Vila Madalena, em São Paulo), fiquei impressionado e cheio de esperanças quando me deparei com o rico conteúdo apresentado por Mauro Lopes, um dos sócios da MVL.

Na ocasião, Mauro nos apresentou a essência da MVL, que está sendo reescrita sobre quatro dimensões. No início foi um choque de realidade – uma utopia, diriam alguns – talvez porque eu estivesse ainda paralisado, engessado ou sem o antídoto contra os emaranhados da vaidade e das decisões equivocadas, injustas, perdidas e infantis dentro de organizações que a gente encontra, vê e do que se ouve nos bastidores.

Com o tempo fui assimilando a fala e pude verificar que minhas respostas sobre o mundo corporativo estavam sendo contempladas naquele exato momento, ou seja, as cartas estavam sobre a mesa e claras. Entendi ali que é possível sobreviver ao mercado, dar lucro e operar no azul, seja no caixa da empresa ou nos corações das pessoas. Compreendi também alguns motivos de tanta fragilidade na saúde das corporações. E é isso que quero compartilhar com você (daqui pra baixo o conceito é da própria MVL).

Vamos fazendo nosso caminho, não porque ele seja meritório ou prometa nos fazer bem sucedidos, mas só porque, para nós, é o único possível. Mauro Lopes

Conhecer: conhecer o outro e nos conhecermos. Pensamos que o verdadeiro autoconhecimento só é possível no conhecimento do outro. Conhecemo-nos apenas na medida em que nos relacionamos. Conhecimento, portanto, é relação. Conhecer é uma possibilidade aberta a cada pessoa. Situa-se, sobretudo, no entre, no traço de união que conseguimos estabelecer com o outro.

Compreender: para nós, o conhecimento deve levar à compreensão. Não basta conhecer o outro. É preciso uma disponibilidade tão aguda e generosa que nos permita sentir o outro. Como nomeamos esse caminho do conhecimento à compreensão? Compaixão. Pati (sentir, sofrer) e cum (com) são a raiz latina dessa palavra. Acreditamos que, quanto mais sentirmos com o outro, quanto mais nos enxergarmos  na vida e nas marcas que ela deixa no outro, mais nos encontraremos individualmente, nos conheceremos, seremos melhores homens e mulheres.

Dialogar: se conhecemos o outro e nos conhecemos, se compreendemos o outro e nos compreendemos, podemos então confiar. Podemos construir um sentido comum para as nossas vidas. Dia (através) e logos (sentido) constituem a raiz grega de diálogo. Qual o convite que essa palavra nos apresenta? Procurarmos juntos um sentido que nos atravesse. Diálogo. Conversa.

Interagir: Se conhecemos o outro e nos conhecemos, se compreendemos o outro e nos compreendermos, se trocamos sentido e, com o diálogo, procuramos um sentido comum para as nossas vidas, podemos então aprender juntos e fazer juntos. Podemos traçar e realizar uma ação comum. E, no caminho da ação, conhecermos ainda mais, compreendermo-nos mais, dialogarmos mais. Cuidarmos um dos outros, numa espiral amorosa. Vida.

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2 Comentários leave one →
  1. mauro lopes permalink
    10/11/2010 10:42

    Marcos querido, nem sei como lhe agradecer pelo texto e sua presença generosa entre nós. Penso que numa comunidade de homens e mulheres, no caso da MVL, uma empresa-comunidade, cada pessoa e a comunidade têm sempre a escolha de “se pertencerem” mutuamente. Não precisamos nos reduzir à dimensão econômica de nossa relação, a um vínculo contratual no papel, a um projeto (por mais empolgante que seja). No caminho, podemos nos fazer amigos -e então, um e outro, pessoa e comunidade, nunca mais sairão um do coração do outro, dos outros. Espero que tenhamos novos projetos comuns, já lhe disse que é nosso desejo aqui na MVL. Independentemente disso, você, seu coração, já “pertencem” à nossa comunidade, e ela pelo jeito já “pertence” ao seu coração. Com afeto, Mauro.

    • 10/11/2010 11:03

      Mauro…
      Mauro,

      Este encontro (de corações, de causa e de profissionais) foi uma benção de Deus na minha vida. Muito além do que se pode imaginar. Para uns pode parecer exagero ou qualquer outra coisa (de menor valor). Mas o que importa é o que levo e tenho dentro do coração.

      Espero que estejamos juntos profissionalmente em outros projetos. Enquanto isso vamos vivendo um dia após o outro com todas as coisas boas que uma nova manhã nos reserva, aprendendo e crescendo ao final de cada dia.

      [ ]’s

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